Com 80 vagas previstas, iniciativa investe na qualificação, na integração cultural e na valorização de profissionais de diferentes nacionalidades
A diversidade cultural presente no ambiente industrial também traz desafios que vão além das atividades produtivas. Para trabalhadores migrantes que chegam ao Brasil, compreender o idioma, estabelecer relações e conquistar autonomia são etapas fundamentais no processo de integração. Atenta a essa realidade, a Fiasul, em parceria com o Sesi Paraná, vai oferecer o curso Português para Migrantes, uma iniciativa que une educação, inclusão e valorização humana.
Com início previsto para 3 de novembro, a formação será realizada nas instalações da Fiasul, em Toledo, e disponibilizará 80 vagas para colaboradores migrantes da empresa, incluindo profissionais provenientes de países como Haiti, Venezuela, Bangladesh e Cuba.
A proposta nasceu da identificação de necessidades concretas relacionadas à comunicação e à integração dos trabalhadores. Mais do que ensinar um novo idioma, a iniciativa pretende oferecer ferramentas para que os participantes desenvolvam autonomia, compreendam melhor o ambiente em que vivem e ampliem suas possibilidades de crescimento pessoal e profissional.
Para a gerente de Gestão de Pessoas da Fiasul, Karen Regina Brinker, a parceria representa um investimento que ultrapassa os limites da qualificação profissional e reafirma o compromisso da empresa com as pessoas que fazem parte de sua história.
“Na Fiasul, entendemos que valorizar as pessoas também significa reconhecer suas histórias, suas culturas e os desafios que enfrentam. Muitos de nossos colaboradores migrantes estão reconstruindo suas vidas no Brasil, e a comunicação é fundamental para que se sintam acolhidos, seguros e pertencentes ao nosso ambiente de trabalho. Essa parceria com o Sesi Paraná representa mais do que a oportunidade de aprender português. É um investimento nas pessoas, na sua autonomia e na construção de relações mais humanas. Acreditamos que uma indústria se fortalece quando cada trabalhador encontra espaço para crescer, contribuir e ser reconhecido”, destaca Karen.
Educação que aproxima pessoas e culturas
O curso terá carga horária de 40 horas, com aulas presenciais às terças e quintas-feiras, em duas turmas, das 8h às 10h e das 16h às 18h. Os horários foram definidos em conjunto com a empresa, considerando a rotina industrial e as necessidades dos colaboradores.
A formação será inteiramente gratuita para os participantes. A metodologia contemplará atividades práticas de conversação, leitura e escrita, utilizando situações reais do cotidiano e do ambiente profissional. Os alunos também receberão materiais didáticos específicos e poderão obter certificação, conforme os critérios de conclusão estabelecidos pelo Sesi Paraná.
A equipe de Recursos Humanos da Fiasul participa da identificação e mobilização dos trabalhadores, enquanto o Sesi Paraná responde pela estruturação pedagógica e execução da formação.
Segundo Helen Braga de Barros, da Coordenação de Educação e Negócio, vinculada à Gerência de Educação Básica e Cultura do Sesi Paraná, a parceria foi construída a partir de uma necessidade concreta da indústria, com o propósito de promover a comunicação, a integração social e o desenvolvimento dos profissionais migrantes.
“Para o Sesi, a educação é um instrumento fundamental de inclusão e transformação social. Ao investir no desenvolvimento linguístico desses trabalhadores, contribuímos não apenas para sua qualificação profissional, mas também para sua integração à sociedade brasileira”, destaca Helen.
A representante explica que aprender português significa também conquistar independência em situações que, muitas vezes, parecem simples para quem domina o idioma, como procurar atendimento de saúde, acompanhar a vida escolar dos filhos, compreender informações e estabelecer vínculos sociais.
“Os benefícios vão muito além do ambiente de trabalho. Aprender português proporciona maior autonomia para realizar atividades cotidianas, acessar serviços de saúde e educação, compreender informações e estabelecer relações sociais”, acrescenta.
Comunicação, segurança e pertencimento
No ambiente industrial, a compreensão do idioma também está diretamente relacionada à segurança, à eficiência dos processos e ao relacionamento entre as equipes.
A capacidade de interpretar orientações, compreender procedimentos e comunicar dificuldades pode contribuir para prevenir falhas e fortalecer a colaboração entre profissionais de diferentes nacionalidades.
Entretanto, a iniciativa também contempla uma dimensão menos visível, mas igualmente importante: o sentimento de pertencimento.
Ao reduzir barreiras linguísticas, a empresa contribui para que trabalhadores migrantes participem mais ativamente das relações profissionais e sociais, valorizando suas experiências, culturas e trajetórias.
Na avaliação de Helen, esse olhar para as necessidades individuais é justamente o que torna a parceria especialmente significativa.
“Estamos falando de pessoas que deixaram seus países, suas culturas e, muitas vezes, suas famílias em busca de novas oportunidades. Proporcionar condições para que possam se comunicar, compreender melhor a sociedade em que vivem e se desenvolver profissionalmente é uma forma concreta de acolhimento e valorização humana”, ressalta.
Investimento nas pessoas e no futuro da indústria
A iniciativa reforça a importância da educação continuada como parte do desenvolvimento industrial. Ao investir na formação linguística, a Fiasul amplia as condições para que seus colaboradores participem das atividades profissionais com mais segurança, confiança e autonomia.
O desenvolvimento dos participantes será acompanhado durante as atividades pedagógicas, por meio de exercícios de comunicação, leitura e escrita. A expectativa é que, ao término das 40 horas, os trabalhadores consigam utilizar o português com maior independência em situações cotidianas e profissionais.
A parceria também poderá abrir caminho para novas oportunidades de formação. Conforme os resultados da primeira experiência e as necessidades identificadas, existe a possibilidade de ampliação para outras turmas e propostas educacionais.
Para o Sesi Paraná, a experiência reafirma que o desenvolvimento da indústria está diretamente relacionado à valorização das pessoas que fazem parte dela.
Ao aproximar diferentes idiomas e culturas, a Fiasul dá mais um passo na construção de um ambiente profissional inclusivo, no qual a educação se transforma em instrumento de integração, desenvolvimento e novas oportunidades.
Afinal, para quem precisa reconstruir a vida em outro país, aprender a língua do lugar onde escolheu viver também é uma maneira de começar a se sentir parte dele.
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